sábado, 20 de dezembro de 2014

Para o ententenimento da alma



Para o entretenimento da alma 
Meus pensamentos 

A distância entre dois corações começa pelo sintoma da indiferença.

O tempo também é senhor de nossos talentos.

Felicidade roubada não é verdadeira felicidade.

O horizonte que acoberta a Cidade Santa de Jerusalém é a mais esplêndida síntese da História da Salvação que nossos olhos podem contemplar. Aqui, Cristo concluiu os seus dias na terra, entregando pessoalmente nas mãos do Pai a obra prima da criação totalmente restaurada pela entrega incondicional de seu amor.

Muitas vezes, passamos a vida na escuridão, mas temos certeza de que voamos na direção da plenitude da luz que nos espera depois da travessia.

O belo metafísico está além das aparências, mas só os olhos sãos podem contemplá-lo.

O amor que se esconde no anonimato dos gestos é maior do que a recompensa de aplausos conhecidos.

Pensa que alguém lhe feriu? Ninguém fere sem se ferir. Então, perdoe. 

 

A vida sempre nos surpreende com circunstâncias que não gostariam que acontecessem. Eles simplesmente acontecem. Aceitá-las ou não é o que faz a diferença entre aflição e serenidade, sofrimento e resignação, pois nem tudo está à mercê do controle de nossa vontade. E, apesar de tudo, o sol vai continuar brilhando por cima da imensidão de nossas trevas...

Quando um caminho se fecha à nossa frente, é porque Deus quer que olhemos em outras direções, pois Ele é o Senhor das surpresas de novas possibilidades de realização.

Jamais deveríamos nos esquecer de quem sempre nos oferece os melhores presentes: Deus.

Quem foi que disse que o sono é de graça? O sono é um dos preços que pagamos por causa do pecado. Quando Deus mandou Adão trabalhar a terra para o próprio sustento, ele quis saber qual seria o alimento do espírito. E Deus lhe disse: Eu vou mandar você dormir!”. Assim, quem não dorme morre, mesmo que o sono  seja também uma expressão da morte. Aliás, alguém já disse que o “sono é o irmão da morte”.

A vida é um milagre que deve ser apreciado com amor e agradecido a cada instante de nosso respiro.

O amor dos homens é traição, a vida dos homens é ilusão, quimera carregada pelo vento que empurra as nuvens mesmo em dias ensolarados. Somente Deus tudo sustenta na verdade pura de sua essência divina e eterna.

A tristeza e a solidão são os dois sentimentos que mais tempo repousam no fundo da alma. Por isso, é bom evitar os dois.

Às vezes, reclamamos da ausência de Deus o mundo caótico em que vivemos, cheio de dor e sofrimento. No entanto, nos esquecemos de que basta que um sacerdote reze a missa para que Ele se torne presença viva, real, no mistério da Eucaristia.

Quem caminha na direção contrária aos próprios objetivos, dificilmente chegará aonde pensa que está indo.

A Igreja Católica não é propriedade de ninguém, por mais brilhante que seja a sua pretensa inteligência ou sabedoria. Embora a fé não seja uma obediência cega, como apregoam alguns, que se diz católico só o é, de fato, quando é capaz de intuir e aceitar que, mesmo desconfiando de suas certezas, está certo da certeza da Igreja, que não é “a casa da mãe Joana!”.

A beleza da natureza quando rebenta de esplendor diante dos olhos, favorece a construção do castelo interior.

É verdade, o tempo vai engolindo tudo e todos até que não reste mais nada senão o pó da história e de algumas lembranças adormecidas nas páginas secas da memória de quem for sobrevivendo inexorabilidade de sua tirania.

Quem se diz ateu só não crê em Deus por causa do próprio Deus. Então, crê em Deus.

A literatura é um tipo de herança que não e perde com o tempo. Além de ser, se bem orientada, uma edificante provocação à vida, um estímulo à existência. 



Não importa se os nossos ideais estão muito acima da pobreza que a quotidianidade nos permite viver. Como disse o grande filósofo, Dom Luciano Duarte, “nós só somos aquilo que podemos ser”. No entanto, que a perspectiva rasteira de nossas possibilidades não nos impeça de fazer voos mais profundos pelas asas de nossos sonhos. De fato, não nos foi concedido voar como os pássaros, mas podemos subir além das águias e ver do que seu olhar penetrante pode alcançar...


A certeza de um bom caráter transparece na alma serena de quem conhece a si mesmo melhor que os outros, e por isso vive feliz consigo e com a sua consciência. É a persuasão íntima de nosso estado de espírito que fortalece as estruturas de nossas convicções mais profundas.

Alegria partilhada é felicidade comunicada.

Nem sempre os ideais da vida correspondem aos nossos anseios de felicidade e realização. Por isso, às vezes, somos obrigados a mudar a direção.

Todo pensamento que começa na escuridão pode ser iluminado a partir dele mesmo.

Somente os ignorantes torcem pela destruição de culturas que favorecem a edificação da inteligência e da dignidade humana. 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A Cidade de Jericó

A cidade de Jericó




A cidade de Jericó – conhecida no AT como a “Cidade das Palmeiras” – hoje, não se identifica mais com a Jericó dos tempos adormecidos na história. Precisaríamos de muita criatividade para imaginar como seria aquela cidade perdida às portas do Deserto da Judeia. Para muitos historiadores, ela é uma das cidades mais antigas do mundo ainda existentes, remontando ao século XI antes da Era Cristã. Situada a 240m abaixo do nível do Mar Mediterrâneo, dista aproximadamente 26 quilômetros de Jerusalém, um pouco menos da metade do caminho entre Aracaju e Itabaiana, no Estado de Sergipe. 

 


No livro de Josué, encontramos a narrativa de quando os filhos de Israel, depois de adentrarem no território da Terra prometida, conquistaram essa cidade sob o toque de trombetas que preparavam e acompanhavam o momento histórico da nova vida (Js 6). Precedida por uma teofania, em que o chefe do exército do Senhor se apresenta, Jericó é apresentada como um lugar santo, à maneira de como Deus também dissera a Moisés por meio do anjo no episódio da sarça ardente: “Tira as sandálias dos teus pés, porque o lugar em que estás pisando é santo” (Js 5,13-15; Ex 3,2-6). Não podemos nos esquecer de que Josué era servo de Moisés, que, por sua vez, era servo do Senhor (Js 1,1-5). Portanto, contemplando a terra prometida das estepes de Moab, sem poder entrar nela (Dt 34,1-4), Moisés morre no monte Nebo e deixa a Josué a responsabilidade de conquistar a terra à frente do povo eleito. 



No NT, também encontramos referência à cidade de Jericó em dois eventos históricos da vida de Cristo. É o Evangelho de São Lucas que nos relata: “E aconteceu que chegando ele perto de Jericó, estava um cego assentado junto do caminho, mendigando E, ouvindo passar a multidão, perguntou que era aquilo. E disseram-lhe que Jesus Nazareno passava. Então clamou, dizendo: ‘Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim’. E os que iam passando repreendiam-no para que se calasse; mas ele clamava ainda mais: ‘Filho de Davi, tem misericórdia de mim!’ Então Jesus, parando, mandou que lho trouxessem; e, chegando ele, perguntou-lhe, dizendo: Que queres que te faça? E ele disse: ‘Senhor, que eu veja’. E Jesus lhe disse: ‘Vê; a tua fé te salvou’. E logo viu, e seguia-o, glorificando a Deus. E todo o povo, vendo isto, dava louvores a Deus” (Lc 18,35-43). O outro fato ocorre logo em seguida, no texto da narrativa de São Lucas, no capitulo 19. Trata-se da conhecida história de Zaqueu: “E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando. E eis que havia ali um homem chamado Zaqueu; e era este um chefe dos publicanos, e era rico. E procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura. E, correndo adiante, subiu a um sicómoro bravo para vê-Lo, porque havia de passar por ali. E quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: ‘Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa’. E, apressando-se, desceu, e recebeu-o alegremente. E, vendo todos isto, murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede de um homem pecador. E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: ‘Senhor, eis que eu dou aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado’. E disse-lhe Jesus: ‘Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão. Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido’” (Lc 19,1-10). No primeiro acontecimento, Jesus está chegando “perto” de Jericó; no segundo, ele tinha “entrado” na cidade. São detalhes importantes que nos revelam a passagem de Cristo pela vida dos homens, como pode acontecer também na nossa vida. Outra menção de Jericó, que encontramos no NT, está também no Evangelho de Lucas, quando alguém para provocar Jesus lhe pergunta: “E quem é o meu próximo?”. E Jesus lhe respondeu contando uma estória: “Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele; E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar. Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: ‘Vai, e faze da mesma maneira’” (Lc 10,25-37). 



Em relação ao que acontece ao cego de Jericó, que deseja recuperar a luz e o brilho dos olhos pela visão do milagre de Jesus, ele reconhece [ele “vê”] em Jesus o Messias esperado, o Filho de Davi, enquanto seus discípulos, que caminhavam com Ele já havia algum tempo, não entendiam nem enxergavam sua realidade messiânica. Tanto que, com o terceiro anúncio de Sua Paixão, Morte e Ressurreição, eles não compreendiam nada do que Jesus estava dizendo (Lc 18,31-34). Nem sempre a visão dos olhos nos mostra a realidade de nossas apreensões como ela é de verdade. No caso de Cristo, precisamos da luz interior da graça para reconhecer n’Ele o Salvador da humanidade. Não por acaso, quando Cristo curou o cego de nascença, segundo o Evangelho de Joao, disse-lhe: “Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem sejam cegos” (Jo 9,39). Quanto a Zaqueu, que se expôs ao ridículo subindo numa árvore para “ver” Jesus, ele encontrou na iniciativa de Cristo a possibilidade da conversão. Imagino a vergonha! Pensando estar escondido sobre o “vegetal lenhoso”, de repente, ser descoberto por Cristo que quer se hospedar em sua casa. Mas Jesus merece qualquer vexame de nossa vida. Fazemos tanto pelos nossos ídolos, tão tacanhos e pequenos, por que não o faríamos por Ele? Zaqueu se arrisca e ganha a salvação. Segundo Hurault, atravessado Jericó, Cristo também cruza a vida de Zaqueu e o conduz à conversão. A esse pecador que Cristo ama e quer salvar, Jesus não se impõe nem procura ditar-lhe a moral. No entanto, a luz entrou no coração de Zaqueu, de modo que o rico publicano reconheceu Jesus como Salvador, considerando-se pecador. Então, compromete-se a fazer justiça, devolvendo os bens usurpados de seus conterrâneos. Assim, Jesus, que reserva aos pequenos e humildes o conhecimento do Reino de Deus, diz para Zaqueu: “Hoje, a salvação entrou nessa casa” (Lc 19,9), porque Ele mesmo é a salvação. Quanto à lição tirada da parábola do homem que “descia de Jerusalém para Jericó” e fora atacado pelos assaltantes, Jesus deixa claro que o próximo é aquele que está ao alcance do “raio de nossa ação”, precisando de nosso auxílio. Amando aos irmãos necessitados, amamos ao próprio Deus que se fez nosso irmão mais próximo em Jesus. Ele é o verdadeiro samaritano que cuida de todas as nossas feridas com o óleo de seu amor e as ataduras de sua misericórdia. 

 


Para um cristão, é sempre comovente pisar e cruzar pelos caminhos de Cristo e perceber que os lugares santos conservam a memória de sua passagem pela terra. Em Jericó, por exemplo, foi escolhido um ponto da cidade, num jardim, onde foi plantado um grande e imponente sicômoro para recordar aos transeuntes cristãos ou aos curiosos que visitam a localidade o encontro de Jesus com Zaqueu. Todavia, no auge na modernidade em que vivemos mergulhados, visitando lugares que albergaram fatos tão distantes no tempo, em cidades habitadas por pessoas que nem sabemos se são religiosas ou mesmo cristãs, que significado elas encontram em tudo isso? Sei que elas veem a presença de muitos turistas do mundo inteiro, e seria o caso de, falando a língua deles, o árabe, nos sentarmos nas praças para oportuno diálogo. Claro que não há mais nenhum vestígio da Jericó do tempo de Cristo na visão de como a cidade hoje está estruturada. Mas existem ruínas de muralhas do tempo de Josué num canto a céu aberto para o entretenimento dos arqueólogos e turistas. Por certo, a cidade do tempo de Cristo narrada nos episódios do Evangelho está suplantada pelas construções atuais, segundo a percepção de historiadores. 

 


Nessa cidade, está também o “monte das tentações” de Jesus, segundo a narrativa dos Evangelhos. São Marcos relata isso de modo sucinto, com palavras bem condensadas na pena de sua elaboração escrita, pois, assim que Cristo fora batizado no Rio Jordão por João Batista, “logo o Espírito o impeliu para o deserto. E ali Ele esteve no deserto quarenta dias, tentado por Satanás. E vivia entre as feras, e os anjos o serviam” (Mc 1,12-13: Mt 4,1-11). Na encosta do monte das tentações, podemos ver o Monastério Grego Ortodoxo que fora construído no final do século IV, e que tem o nome de “Monastério da Quarentena”, em recordação da tentação do Filho de Deus, igual a nós em tudo, exceto, no pecado. De modo profundamente existencial, na sua humanidade, Cristo evoca pela sua experiência do deserto – do seu próprio “êxodo” (Lc 9,31) que se consumaria em Jerusalém, especialmente, durante os seus últimos dias na Cidade Santa – a dura e difícil experiência do Povo de Israel no deserto por quarenta anos seguidos, duros e penosos. Tentados na sua fé, os filhos dos hebreus se questionavam sobre a real presença de Deus no seu meio (Ex 17,1-7). E aos pés do Monte Sinai, a revolta se agravou de tal modo que eles fizeram o “bezerro de ouro” – de metal fundido – como expressão de seu deus (Ex 32,1-8). Tamanha idolatria fez com que a ira de Deus se acendesse como um “fogo devorador” contra o seu povo eleito. Cristo, por sua vez, atravessa o seu “êxodo” até o fim com profunda e radical obediência ao seu Pai Bendito. A resposta de amor e fidelidade que o povo não consegue expressar e manifestar concretamente diante do seu Deus, Cristo o faz por ele e, consequentemente, por toda a humanidade. Com efeito, sua obediência “até a morte e morte de cruz” atravessa os séculos e abraça a história de todos os tempos, desde o primeiro Adão até o último dos viventes. Misteriosa redenção que Deus protagonizou pelo seu Divino Filho em favor de todos os mortais. A Ele, a glória e o louvor pelos séculos sem fim! 

 

Misteriosa redenção que Deus protagonizou 
pelo seu Divino Filho em favor de todos os mortais.