segunda-feira, 25 de março de 2019

Um país sem cultura é um país sem história


Um país sem cultura é um país sem história



Na contra mão do que acabei de afirmar na epígrafe, inicio essa abordagem enfatizando que um país sem história é um país sem cultura. Se não temos cultura, não temos história e vice-versa. Qual é mesmo a nossa história? Um autor francês, Jean de la Croix dizia que se não carregássemos dentro de nós mesmos a história da humanidade, seríamos como bússolas enlouquecidas. Então, não é assim que se encontra o Brasil, uma bússola enlouquecida? Aonde estamos indo? Basta olhar a situação em que a nação verde-amarela se encontra para percebemos que estamos cada vez mais longe dos ideais que estimularam outras nações em direção às suas conquistas.
Num rápido passeio pela história de outras nações, sobretudo europeias, descobrimos quanto sangue foi derramado pela conquista de direitos e emancipações da dependência das tiranias estrangeiras. Muito sangue foi derramado. Duas grandes guerras golpearem terrivelmente aqueles países, e os monumentos em homenagem aos que tombaram na guerra estão espalhados por toda a Europa. Sinais de agressões bélicas mapeiam os ambientes turísticos por que passamos. Nomes intermináveis podem ser lidos ao vento de reminiscências que nada parecem dizer, por exemplo, a um brasileiro, porque aqui nunca derramamos sangue para conquistar nossos direitos. Eles foram dados, gratuitamente, de modo especial, na Constituição Federal que foi promulgada em 1988, quando saíamos da bruma densa do que chamamos ditadura no Brasil. Sonhos e liberdades truncados pela força bruta do caudilhismo que grassava em todos os âmbitos sociais. Mas, nem de longe, poderíamos dizer, que aqui se derramou sangue, a fim de tingir a história de mais orgulho. Nenhuma nação se torna verdadeiramente autônoma e livre sem lutas e batalhas, mesmo que isso não signifique o derramamento de sangue mediante as tempestades belicosas que agitaram os povos. Todavia, infelizmente, foi isso o que aconteceu em várias partes do mundo. De fato, o patriotismo que estranhamos aqui, quando, por exemplo, se pede para cantar o hino nacional nas escolas, é sinal de orgulho para as nações que sabem o quanto pagaram para ser o que são. Famílias destroçadas pela guerra, porque o homem é igual em todas as estações do avanço histórico das civilizações, choraram seus mortos, suportaram os mutilados, experimentaram a miséria do comportamento humano, sentiram a saudade dos que nunca mais voltaram, perdidos nos campos de guerra, sem direito à dignidade de um funeral, e cujas lembranças nada mais são do que o nome recordado por seus entes queridos. No Brasil, vivemos tudo isso historicamente? Alguém me lembre, porque, como dizem que brasileiro não tem memória, é possível que eu tenha acabado de me esquecer.
Durante muito tempo, fomos sendo doutrinados para perder todos os valores que poderiam compor e constituir o sentido profundo da vida em sociedade. Saímos do campo da singularidade – porque a individualidade é uma característica do ser pessoal, do ser pessoa – para a dispersão do gênero, da degeneração coletiva, pois, quem se perde na massa, também perde sua própria identidade. Trabalhamos a cultura do “junto e misturado” e nos esquecemos de que nos misturar não é nos confundir na essência individual mais recôndita do nosso ser. Socialismo, comunismo, marxismo e tantos outros ismos foram engolindo nossa capacidade de percepção da nocividade de seus conceitos ou de sua efetividade prática em relação à própria dignidade humana. Ideologias que matam foram tomando conta do inconsciente coletivo como algo positivo, enquanto, na verdade, só favoreciam o pequeno grupo dos ditadores que comiam a carne viva de seus semelhantes, quando não assavam a lenha verde de suas vísceras em fornos crematórios. Era a vida humana degringolando em direção ao precipício do aviltamento brutal. A história passou, e muitos, alucinados por inspirações diabólicas como a fumaça do nazismo, insistem que um mundo sem Deus, longe de princípios religiosos, é a garantia de que as liberdades serão respeitadas e, os direitos, acautelados.
Antes mesmo dos períodos sombrios do advento da II Grande Guerra Mundial, espíritos altaneiros e pensadores, sobretudo cristãos, já anteviam que a civilização Ocidental post-Cristã escolheria “a Cristo sem a Cruz. Mas Cristo sem o sacrifício que reconcilie o mundo com Deus não passa dum pregador itinerante barato, efeminado, descolorido, que merece a popularidade pelo seu grande Sermão da Montanha, mas que merece também a impopularidade tanto pelo que afirmou acerca de sua Divindade, como pela sua doutrina sobre divórcio, juízo e inferno. Este Cristo sentimental é recordado num fundo de mil lugares-comuns, sustentado às vezes por etimologistas acadêmicos incapazes de ver a Palavra por causa das letras, ou deformado, até perder a fisionomia pessoal, pelo princípio dogmático de que tudo o que é Divino se reduz necessariamente a um misto. Sem a Cruz, ele não passa dum ardente precursor de democracia, ou dum humanitário propugnador da fraternidade sem lágrimas”. (Sheen). Em outras palavras, o escritor quis dizer que a verdade anunciada por Cristo nos encanta quando nos parece comodamente distante das exigências da vida voltada ao espírito de sacrifício e generosidade, mas que, ao mesmo tempo, nos choca e nos constrange quando a mesma verdade nos acusa. É muito fácil aplaudir verdades que não exigem muito do nosso comportamento, que não comprometem o risco de nossas ambições ou mesmo presunções. Vivemos a era dos direitos, buscamos a liberdade de nossos vícios, e nos esquecemos de que os deveres também tecem a filigrana de nossas atitudes, comprometendo-as diante do bem comum, da coletividade. Mas o brasileiro prefere a vida cômoda à guerra. Isso está no seu DNA, talvez, como herança de algum ancestral de outro continente. E a comodidade, filha da preguiça, parece condu-lo pelo caminho das facilidades, do jeitinho, da lei do menor esforço, desembocando na oportunidade da corrupção. Não aquela feita de milhões, mas aquela, pequena, gradual, progressiva, colhida na escuridão da noite moral, que pode levar aos milhões.
Como é triste ver quem deveria ser e dar exemplo ser levado para a cadeia num país tão rico de tudo, inclusive de ladrões! É o tecido social esgarçado pela podridão de algumas lideranças políticas, surrupiando montanhas do dinheiro que poderia ser investido na educação, na saúde, no saneamento básico, na segurança e, assim, por diante. Infelizmente, fomos habituados à passividade, de modo que, quase não nos indignados mais com toda essa sujeira que está aí. Tentamos defender a nossa parte, e pronto. O Brasil está aos frangalhos, depois de anos a fio de corrupção e ideologias degenerativas de tantos valores sociais, familiares, comunitários, religiosos, em que, supostos defensores da diversidade e, que, agora, diante de uma moldura social que se demonstra diferente de suas presunções, aparecem radicalmente intolerantes com quem pensa diferente. As redes sociais que o digam! Cada vez que eu posto um texto assim, com esse tipo de reflexão, descubro que muitos me bloqueiam no Facebook. Deve ser a incapacidade para acolher o diferente, o novo, mesmo considerando que não sou o dono da verdade, que apenas exponho, com toda a “liberdade de expressão” devida a todos, pois esse é um direito constitucional. Outros apelam para a religião, como se ela me tolhesse o direito de pensar e refletir. Mas a religião ou o ser religioso não pode ser uma mordaça na vida de ninguém, nem um tapa olho [como de pirata] que lhe favoreça a tiflose ou mesmo a cegueira intelectual. E o pior é quando torcemos para que o Brasil não dê certo, simplesmente porque o governo que está aí não foi o candidato em quem votamos. Comportamo-nos como aquele cara do avião que lia tranquilamente seu jornal num momento de turbulência que inquietava todos os passageiros. Alguém tentava adverti-lo de que o avião estava prestes a cair. E ele argumentou: “Deixe o avião cair! Ele não é meu!” Ou seja: burrice pura! Se o Brasil afundar, iremos todos juntos com ele. De qualquer modo, nessa precipitação de desejos controversos, muitos ditos intelectuais, artistas, cantores, escritores, cineastas, entre tantos ouros brasileiros, criticam o sistema político do país, mas moram fora, em cidades e nações civilizadas da Europa ou da América Latina. Assim fica mais fácil cuspir no prato em que comeram. Não que eu seja contra quem mora fora do Brasil. Pelo contrário, esse não é o problema. O problema é não permanecer aqui para nos ajudar na superação das dificuldades nacionais, enquanto atiram pedras de longe. Alguns mamaram demais nas tetas do Governo Federal, usando nosso dinheiro e, agora, percebem que a fonte secou.
Embarcamos quase que inconscientemente nas ondas da psicopatia social e ainda nos consideramos normais. O mundo está maluco mesmo, de pernas para o ar. Enquanto tentamos combater os vários tipos de preconceitos, construímos pessoas ainda mais doentes, com sentimentos mórbidos, incapazes de reagir com lucidez aos dramas da própria vida. São assassinatos nas escolas, massacres em ambientes sociais marcados pela presença inocente das pessoas, que não sabem o perigo que as ronda. Mas o que estamos fazendo dentro de nossas casas, com a educação de nossos filhos? Que tipo de testemunho somos para eles? Por que delegamos a responsabilidade por seus comportamentos à Escola ou ao Governo ou ao Estado? Até onde nos interessamos realmente pela mudança de suas atitudes e comportamentos, de modo especial quando eles se tornam agressivos, negativos? Por que nos furtamos à disciplina e à ordem dentro de casa, sem mais exigir o respeito e a obediência dos filhos? Por que o medo de frustrá-los ou fazê-los perceber que a vida tem seu preço e que as dificuldades devem nos ajudar a crescer? Certos traumas nunca mataram ninguém. E não estou defendendo situações que possam, de algum modo, marcar ou estigmatizar psicologicamente nossos filhos com propósitos intencionais de feri-los, mas de socorrê-los na hora da exigência de subordinação e tolerância com seus próprios erros. A formação é um caminho de sacrifício que deve envolver a todos, não apenas as escolas, mas também as famílias, a sociedade, o Estado, a Igreja (e por que não?) no sentido da integralidade do crescimento de cidadãos de bem, capazes de se colocarem no lugar dos outros, com altruísmo, empatia e compassividade. Numa palavra, desde cedo, devemos orientar os filhos para trabalharem em si mesmos a chamada “Inteligência Emocional”, algo sobre o que, infelizmente, sabemos muito pouco ou quase nada.
Altruísmo e empatia são termos correlatos. A palavra não é minha, mas de um grande estudioso do assunto, Daniel Goleman, Ph.D.: “Além dessa ligação imediata entre empatia e altruísmo nos encontros pessoais, Hoffman sugere que a própria capacidade de afeto empático, de colocar-se no lugar de outra pessoa, leva as pessoas a seguir certos princípios morais”. E ele recorda um dos versos mais famosos da literatura inglesa: “Nunca pergunte por quem dobra o sino; ele dobra por ti”. (Goleman). E isso significa o que, afinal de contas? Significa que todos nós fazemos parte do tecido social que, quando se deteriora, atinge também a cada um de nós. Somos filhos da mesma humanidade podre que nos abraça, de modo que ninguém está acima do bem e do mal. Como afirmou o mesmo autor acima referido: “[...] a dor do outro é nossa. Sentir com o outro é envolver-se”. (Goleman). Na verdade, trata-se de uma dinâmica da vida social que começa dentro de casa, ainda na primeira infância e que, depois, se estende sobre todos os estágios da formação da existência da pessoa.

quinta-feira, 14 de março de 2019

A Revolução dos bichos...


A Revolução dos bichos
Numa espécie de verdadeira fábula, “a revolução dos bichos” – uma obra do pseudônimo George Orwell (1903-1950), cujo nome verdadeiro era Eric Arthur Blair, que foi romancista, ensaísta político e jornalista – retrata a interação entre os bichos e os homens, numa perspectiva de superação das dificuldades por que passam os bichos quando não se sentem livres nem iguais aos homens. Na verdade, a obra do referido autor, adepto do anarquismo, é uma crítica e uma sátira, eivada de humor, em relação ao sistema ditatorial de Stalin, na Rússia.
A obra é uma distopia ou antiutopia, isto é, representa lugares e existências fictícios para denunciar algo que gostaria que não existisse na realidade. É, pois, o que acontece na supracitada obra, que inspirou o comentário a seguir. Nela, fala-se de irmandade, de fraternidade, que são termos próprios dos humanos. Assim, no apólogo, os bichos pensam e falam, à maneira antropológica, ao modo humano. Eles argumentam sobre justiça e liberdade, igualdade e direitos no exercício da sua dignidade animal. Na verdade, poderíamos dizer que se trata de uma projeção humana no universo animal, porque, de fato, os humanos tentam se colocar dentro do contexto da vida daqueles indefesos, que são maltratados e mortos. Então, eles, por assim dizer, no reflexo de sua percepção, se recusam a admitir que os homens os tratem de modo cruel, porque são preparados e cevados para morrer. “A revolução dos bichos” se torna, então, um tipo de protesto, de grito e de rebelião; uma insurreição capaz de produzir a revolta dos bichos. Tudo isso se reflete, contundentemente, quando eles expulsam os humanos que os exploram para longe de seu habitat. Assim, o perigo mais grave que se apresenta é a possibilidade de que o comportamento dos animais se estenda sobre outras propriedades da região. Começa, portanto, a tirania dos bichos sobre os humanos.
Interessante é pensar, por exemplo, que o desequilíbrio natural e harmonioso entre os humanos e os bichos é um fator psicológico humano, reproduzido nos animais. Hoje, fala-se muito dos “direitos dos animais”, da “racionalidade inferior” dos bichos, até bem pouco tempo, totalmente considerados irracionais. Logo, o raciocínio dos bichos se enquadra dentro das discriminações polarizadas no contexto social moderno. Os bichos se tornam discriminados em face dos humanos e intencionam se tornar como eles, inclusive com a elaboração e a positivação de princípios e leis que possam regê-los à maneira tipicamente humana. Trata-se de instruções que possam garantir seus direitos de liberdade, igualdade e dignidade ao nível de sua animalidade. Uma organização se estabelece entre os bichos, que ocupam cargos de liderança e funções de trabalho, ordem e disciplina, a tal ponto, eficientes, que surpreendem os humanos, agora, destituídos de suas tarefas frente aos bichos. Tudo parece um sonho feliz e edificante, quando, de repente, os sentimentos negativos, de rejeição, de tortura e de reféns de alguns bichos dominando outros, começam a aflorar.
Ou seja, os bichos entram no mundo dos homens e se comportam de igual maneira. Mais ou menos como assistimos no espelho da história humana onde os que tentam se liberar de certas tiranias, acabam impondo as suas. A cegueira ou o fanatismo de ideologias que deturpam o sentido real dos direitos devido a todos também se estabelece sobre as atitudes comportamentais dos bichos. Assim, a ideologia poderia comparar-se a um veneno lento, que entorpece a consciência, obnubilando-a gravemente, de modo que a pessoa se submete às imposições da tirania. De fato, a ideologia enfraquece as mentes distraídas, condicionando-as letargicamente aos antídotos contra a liberdade da própria lucidez do espírito. Quer dizer: a suposta segurança de alguns degringola na opressão de outros. Isso porque, com muita facilidade, os que lutam pelo desejo de liberdade em relação à tirania, quando alcançam o poder, assumem, de igual modo, o posto dos ditadores, tornando-se até piores do que seus predecessores. Um dia eu ouvi num filme: “Se não expulsarmos as formigas, elas nos expulsarão”. Então, trava-se a guerra ou a batalha pela sobrevivência individual, de modo que, mesmo assim, almejando liberdade e igualdade, alguns subjugam os demais, usufruindo dos mesmos privilégios que antes condenavam. Soa-se, assim, como corolário da astúcia dos tiranos, o rifão que diz que o mundo é dos mais espertos. E há rivalidades entre os próprios bichos. “A lealdade e a obediência são mais importantes!”, afirma Napoleão, que faz de tudo para ludibriar, de modo intencionalmente pernicioso, a capacidade de pensamento dos bichos! Cada um assume o seu papel na construção da sociedade, com canseira, fadiga e até fome, mas sem fugir das responsabilidades que lhe cabem.
Depois que os animais se instalam na Fazenda dos homens, é preciso tomar o caminho do diálogo, da negociação, mesmo reconhecendo que com animais não se negocia. Todavia, enquanto isso não acontece, vale a vigilância atenta, conscienciosa dos bichos mais reflexivos, a fim de se livrarem das ciladas argumentativos e fáticas diante das circunstâncias da convivência na suposta “Fazenda animal”, que se augura “vida longa”! Os homens tentam fazer os animais provarem de suas experiências, enquanto eles mesmos, racionais e pensantes, dominam a inteligência do animal dito “racional”. Certamente uma preposteração de valores, de sentimentos e ideais de vida, que colocam os animais no lugar dos humanos. Também no meio deles não há espaço para os traidores e enganadores de seus iguais. Isso para efetivar o anseio de uma sociedade melhor, mais justa e equânime na prática de seus direitos, embora isso também contrarie o princípio da igualdade, pois, entre os bichos, também há categorias classistas. Os de segunda classe não poderiam usufruir dos mesmos direitos que os da primeira. Com a instauração do tribunal de julgamento, animal que infringiu o mandamento do “não matarás”, será condenado e punido de morte. Mas a liderança impoluta do “reino dos animais”, que favorece as condições de sobrevivência dos bichos deve receber o mérito da “honra do animalismo”. Uma ironia hipócrita do reino animal! Falácias de bichos que não são capazes de reconhecer suas próprias desgraças e desigualdades. A força bruta da tirania é o princípio que rege os sonhos de liberdade dos oprimidos. Porém, a solidariedade entre os bichos também reforça os laços da filadelfia, da irmandade, de modo que uns podem ajudar aos outros. Vida longa; Fazenda animal; Viva Napoleão!
De um momento para outro, o homem instiga o porco a reconhecer que todos os animais são iguais, mas “alguns são mais iguais que outros”! Outra falácia para enganar os animais quanto à semelhança com os humanos. Por conseguinte, eles também precisam de muralhas que possam protegê-los dos inimigos. Mas a ganância e a crueldade dos poderosos também se reproduzem nos animais, vítimas de sua própria loucura, mesmo “esperando contra toda esperança”. No final, com a expectação frustrada pela nostalgia de algum tempo distante, tudo parece recomeçar do zero, de onde a esperança e a vontade de gozar da liberdade sonhada brilham no horizonte de novas perspectivas de conquistas, de vitórias. Ou seja, percebendo a impostação do conjunto da obra, a inspiração da racionalidade humana respinga no mundo dos animais, com desejos de superação de si mesma na contraluz da irracionalidade dos bichos em revolução. Mas é como diria La Fontaine: “Sirvo-me dos animais para instruir os homens”. Com efeito, essa parece ser a legenda mais eficaz e producente quando imaginamos que, pelo andar da carruagem, nós, os humanos, por vontade própria de humanização dos bichos, escorregamos, pressurosamente, para a animalização dos humanos.
Por fim, ousaria até dizer que estamos transitando da era dos humanos para a era dos bichos, como já aconteceu em algum tempo e em lugares, bem distantes, perdidos nas sombras inimagináveis da história. Pena que, quando desaparecermos, por mais brilhantes e racionais que sejam os bichos – como desejam algumas fantasiosas intuições acadêmicas, inclusive na área do Direito em universidades modernas, do Brasil e do mundo – eles nada poderão dizer ou contar da era dos humanos. Com efeito, quando estivermos esparsos e diluídos no espaço sideral do esquecimento, nada mais seremos além de uma massa informe nas lentes controversas dos próprios bichos. Quem viver verá quão irracionais teremos sido nós, que teremos perdido para os irracionais, que nunca se levantarão de suas patas nem conseguirão ser inteligentes como os humanos. Sinceramente, na real, considero um grande risco o fato de os humanos tentarem humanizar os animis, enquanto, ele mesmo, também parece [eu escrevi “parece”, o que supõe incerteza e dúvida] se bestificar, animalizando-se. (PGRS)


sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

2019 E as despedidas da vida




2011,2012... 2017... 2019 E as despedidas da vida


Todas as despedidas são pequenas expressões da morte, ou seja, daquilo que passa por nós e deixa de existir no plano material do passadouro do tempo. Sim, a morte nos acompanha desde quando fomos gerados, minusculamente, no ventre materno, na inconsciência primeira do nosso próprio ser. Foi, então, lá, o primeiro ninho a nos albergar nos instantes iniciais da existência, até quando tivemos de nos despedir do invólucro da nossa manifestação no mundo extrauterino. Aquele foi o primeiro ensaio de uma espécie de despedida, e, ao longo da vida, de tantas outras despedidas e partidas.
Assim, da escuridão da vida intrauterina, fomos lançados no cosmos, e a luz do universo nos acolheu no abraço de uma jornada surpreendente, desafiadora, cheia de encantos e mistérios, que nos preparavam para novas despedidas. Nos primeiros passos, ainda éramos prisioneiros do carinho e do colo da mãe, da preocupação dos pais, que juntos, nos ensinaram a nos soltar das amarras da dependência para a liberdade pessoal. Foi quando, depois de alguns meses, também nos levantamos do chão, iniciamos a firmar os passos na direção de outras despedidas, porque o tempo, por si mesmo, sempre nos empurra para a frente, deixando para trás os rastros das partidas. Desse modo, a existência ganha rumos inesperados na formação da personalidade e do caráter, das peculiaridades inerentes a cada ser humano. Então, ganha espaço no bojo da inteligência a racionalidade que se despede da fantasia pueril das crianças para entrar na realização concreta das responsabilidades dos juízos e dos discernimentos mais comprometidos consigo mesmo. E novas separações acontecem como expressões do adeus ao tempo que ficou lá atrás, nos porões da autofagia dos eventos dentro do circuito cronológico.
Depois, entramos na escola, fazemos amigos, acumulamos conhecimento e trazemos para dentro de nós a exterioridade do universo, apreendido pelo espírito no movimento da intelecção que abrange as conquistas do saber. E mais despedidas acontecem: mudamo-nos de cidade, trocamos de vizinhos, descobrimos novas amizades e, mais tarde, conforme sopram os ventos do destino, dizemos outros adeuses, e buscamos em plagas mais distantes o aprimoramento da epistemologia das façanhas do intelecto. E o tempo patrocina outras despedidas no que fica para trás. De repente, a cronologia se estica ainda mais no rastro das despedidas, e começamos a perder os parentes mais próximos, como avós, tios, país, irmãos, amigos, enfim, pessoas das quais tentamos conservar o carinho das boas lembranças e as marcas da saudade, plantadas no fundo da alma, e arraigadas em reminiscências tiradas da convivência. Tudo corre para o esconderijo do esquecimento onde as lembranças vão se apagando na bruma inevitável da distância temporal das sombras existenciais. E as despedidas se intensificam ainda mais no pôr do sol da memória humana.
Mesmo assim, a gente só se despede do que passou, porque o tempo não volta mais. Todavia, é bom que o tempo passe, como diria Santo Agostinho: “Mas é bom que esse tempo passe, pois, se ele não passar, não teremos outro tempo”. Sim, “outro tempo” é a garantia que temos – enquanto vivemos – de que podemos conquistar mais do que aquilo que ficou para trás. E isso acontece porque a gaiola do tempo sempre está aberta na direção do porvir, do futuro que nos espera em algum lugar das novas possibilidades da realização da existência. Talvez, lá, nas curvas inconscientes do tempo, nas dobras da alma partida pelos arcos quebrados das frustrações, mas desejosa de que o vislumbre do horizonte porte novo sol sobre as asas da magia e do encanto da esperança, iluminada pelo fascínio dos sonhos que se acordam, teimosos, sempre de novo, nos lençóis do espírito. Na verdade, são despedidas que dão boas-vindas ao novo que chega, mesmo quando ele surge dos pontos escuros da existência, sem a claridade devida à obscuridade dos desafios que despontam na esteira dos propósitos do existir.
Às vezes, me ponho pensando: “Quem nasceu para morrer hoje, não pode esperar pelo amanhã!”. Mas a vida segue para os que ainda estaremos aqui, curtindo o chão batido da saudade dos que se nos anteciparam à corrida do além. Essa é a martelada fatídica do tempo, da cronologia que nos abraça na duração da vida, do pinga-gota temporal que, um dia, chegará ao fim para todos, pobres mortais, adormecidos na fantasia dos espectros da realidade fugidia, corriqueira, efêmera, quando, por exemplo, podemos contar os anos: 1900... 2011, 2012... 2017... 2019. Por certo, são eles que agasalham as despedidas enquanto ainda conseguimos contar o ritmo cronológico de suas batidas. E assim, cheios de alegria, paz e esperança – sobretudo para a nação brasileira, que ganha novo presidente – anelamos e queremos que o ano de 2019 se abra com as bênçãos de Deus para todos nós, coletiva e individualmente, pois, embora não possamos deter as despedidas, ele seguirá controlando tudo e todos, mesmo sem o aval de nossa vontade. E, desse modo, veremos outras despedidas, algumas, inclusive sem tempo para a despedida. (PGRS). 



domingo, 4 de novembro de 2018

Bonanças depois da Tempestade

Bonanças depois da tempestade

Resultado de imagem para Brasília com chuva congresso nacional


Durante muito tempo, vivemos fascinados pelo fato de que operários, que estiveram fomentando e apoiando a luta de classes, tivessem chegado ao poder, depois de algumas tentativas, concorrendo às eleições, até conseguirem grimpar os mais altos cargos da nação como chefes de Estado. Assim o foi na Polônia de São João Paulo II. Foram tempos sublevados por circunstâncias de ditadura, opressão, desrespeito aos direitos humanos, etc. Lech Walesa assumiu o poder, depois de fundar o sindicato da solidariedade, e também depois que o comunismo fora derrocado na Polônia. Em 1993, ganhou o prêmio Nobel da paz, e se manteve na presidência do país ate 1995! De Roma, João Paulo II acompanhava, com muita preocupação e esperança, os rumos de sua nação, invadida pela Alemanha nazista, fazendo explodir a II Grande Guerra Mundial!
Tempos sombrios e macabros acobertavam as incertezas do horizonte da humanidade. Mais tarde, outras nações também tiveram essa oportunidade. Na Venezuela, fora eleito Hugo Chaves, que, segundo um amigo desse país, subira ao poder aclamado por todos como um novo messias, trazendo esperança e entusiasmo, sobretudo para os mais pobres. Não muito tempo, e começou a mostrar a que viera, tornando-se um ditador, à semelhança dos comunistas, e deflagrou o início de tempos mais sombrios do que antes, assomando no pedestal da opressão para humilhar sua gente. Inimigo dos americanos, chegou a excogitar a possibilidade de o governo estadunidense ter inventado um modo de fazerem adoecer de câncer autoridades sul-americanas (Lula, Dilma e o próprio Chaves). Na sua visão, isso seria descoberto daqui a uns 50 anos. Depois ele morreu, e nem teve tempo de ter o corpo embalsamado para se tornar uma estátua que seria exposta na Venezuela para idolatria dos súditos. A medicina chegou atrasada! Ainda bem! Enquanto no mundo, a estátua de muitos outros tiranos estavam sendo derrubadas (Stalin, Saddam Hussein, Mussolini, Hitler et alii), aqui, nosso vizinho gostaria de ser endeusado. Agora, por outras motivações históricas, a Índia se orgulha de ter a maior estátua do mundo: 182 metros de altura! Foi “construída em homenagem a um dos heróis nacionais, Sardar Patel, autor da unidade do novo país surgido após a independência dos britânicos em 1947 e a partilha do subcontinente”.
Infelizmente, a conspiração da doutrina comunista, marcadamente, infectada também no Brasil, não morreu com eles. Aliás, uma “bela” curiosidade histórica é o fato de que, a América Latina, que sempre teve a mania de copiar a cultura europeia, especialmente de França, se esqueceu de que, por lá, inclusive na Rússia, o comunismo foi varrido, enquanto, com mais de 30 anos de atraso, ainda vigora aqui nas terras ameríndias. Mas como já disseram, e a frase de Max ficou famosa pelo desprezo à religião, essa foi diagnosticada como sendo o “ópio do povo”. Todavia, como não há argumento desprovido de contestação, outro pensador francês, Raymond Aron (1905-1983) asseverou que o marxismo se tornou “o ópio dos intelectuais” – inclusive era o título de seu livro. [Por sinal, intelectuais de que o Brasil está cheio]. Eles apoiam as revoluções socialistas e históricas, refletindo apenas de seus laboratórios de ideias, muitas delas venenosas, enquanto na práxis de sua própria experiência pessoal, elas soam como algo poeticamente belo, mas indiferentemente distante da sua vida.
Uma coisa é ouvir falar de bombas, outra, bem diferente, é ouvir as bombas pipocando ao seu lado, como experimentei no próximo Oriente médio, enquanto o Estado Islâmico (EI) destruía implacavelmente museus e fontes históricas da civilização dos povos. Mas não que isso signifique que estejamos longe de realidades opressoras ao alcance de nós mesmos. No Brasil, como na Venezuela, diferentemente da Polônia, tivemos igualmente dois presidentes comunistas, um dos quais inclusive está na cadeia, acusado de encabeçar uma quadrilha que surrupiou bilhões de reais dos cofres públicos ou de empresas estatais, por meio de conchaves e conluios, com o intuito de favorecer ou apadrinhar apaniguados da corriola dos corruptos.
O Brasil, que se orgulhava de não ter padecido suficientemente da histórica crise econômica mundial de 2008 –  pois, segundo Luiz Inácio Lula da Silva, ele fora afetado apenas por algumas “marolinhas”, que, não muito tempo depois, se transformaram num tsunami – teve as reservas econômicas engolidas pela corrupção, e agora, a bem de verdade – quer reconheçamos ou não, pois ninguém pode se responsabilizar pela tiflose alheia – todos estamos pagando o pato [até mesmo eu, que, como padre, na percepção dos míopes, não deveria me meter nisso], estou pagando também, porque o Governo Federal não me dispensou de recolher anualmente a taxa do imposto de renda! Se não sabem, ele também controla minhas contas. Com efeito, na qualidade de cidadão devo respeitar as leis e cumprir minhas obrigações legais, civis.
Quem tiver o mínimo de interesse pelas querelas internacionais deve ter ciência do quanto, na Venezuela de agora [tempo presente], o que deveria ser maduro está caindo de podre. Sem falar das ideologias contemporâneas, que pela América Latina, vindas da Europa (França, Alemanha, Itália, Rússia entre outros países), estão corroendo a moral e os bons costumes em nome das ditaduras disfarçadas de democracias. Na França, a direita, cansada dos governos “faz de conta”, que deixa muita gente feliz, mas afunda o país da recessão, deu um chute na esquerda e elegeu um presidente há muito pouco desconhecido - nem de tradição política era - e uma das medidas mais radicais que tomou, contra a gurizada tecnologicamente dependente dos celulares em salas de aula, foi proibir o ingresso dos aparelhos. Não chegam mais nem às portas das escolas. Emmanuel Macron, eleito o mais jovem presidente da França, aos 39 anos, fora ministro da Economia, e, mestre em filosofia, “trabalhou como assistente editorial do renomado filósofo francês Paul Ricoeur [1913-2005], ajudando-o a publicar seu último livro”. Ainda, “o ex-banqueiro Emmanuel Macron, que nunca havia disputado nenhum cargo eletivo, era praticamente um desconhecido. Seu nome só se tornou público ao ser nomeado, em 2014, ministro da Economia do presidente socialista François Hollande”.
No Brasil, fomos descendo cultura abaixo, minimizando o alcance da exigência educacional, de tal modo que, um aluno não deve mais ser reprovado. Uma professora me contou que, seu filho, tendo frequentado as aulas menos de uma semana durante o ano, fora aprovado. Indignada, ela exigiu que ele repetisse o ano. O desrespeito aos professores aumentou consideravelmente; o Estado invadiu as famílias, tentando impor aos pais as diretrizes educacionais estritamente ligadas ao direito familiar; tentou erradicar o ensino religioso das escolas; baixou o nível de respeito às autoridades constituídas; insuflou nas minorias espírito de arrogância e privilégios como se não estivessem contempladas dentro das exigências dos direitos e dos deveres constitucionais intrínsecos a todos; patrocinou fenômenos culturais de ínfima e até ofensivas qualificações artísticas; incitou apologia à pedofilia em nome da arte, com crianças tocando órgãos genitais de adultos; manifestou desprezo e vilipêndio aos símbolos religiosos, sobretudo dos católicos [por que não mexem com Maomé?]; tudo isso favoreceu a que pessoas famosas invocassem o demônio em nome da liberdade [estou sem fôlego!]; a cultura das músicas de das danças do bumbum invadiu nossas casas, com mulheres insatisfeitas com seu tipo biofisicossomático, injetando silicone de maneira medicamente reprovável, até morrendo [com todo respeito pelas vítimas e seus familiares]; uma onda de "mimimim" se instalou, reprovando a seiva de pensamentos mais elevados em relação ao esforço do dinamismo, que todos devem galgar em direção às suas conquistas; ainda, penso que aumentou o número de parasitas, que sugam dos privilégios eleitoreiros, sem trabalhar, e, aqui, não me refiro aos milhões de desempregados desse país, tão rico e tão maltratado; sei o quanto a vida é triste e penosa para tantos homens e mulheres, jovens e crianças, que lutam pelo pão nosso de cada dia, sem segurança de sobrevivência nenhuma, às vezes, fora das escolas, longe da educação; gente pobre, que faz esse país valer a pena, com sua honestidade, seu suor e seu sangue, enfim, com sua própria vida; a delinquência tomou rumos inesperados, e o ladrão pensa que o que é seu é dele, e ainda lhe trata como “vagabundo”, o que caracteriza desrespeito à propriedade privada, que é um bem inviolável; a vida humana virou moeda de troca, não vale mais nada e, daqui a pouco, os animais serão mais importantes do que as pessoas – inclusive a jurisprudência já discute “os direitos dos animais”; matar alguém poderá ser mais vantajoso, em relação ao animal [não estou aqui defendendo maus tratos aos animais! Leia meu texto com lucidez!]; enfim, a lista poderia aumentar, mas cansei nesse aspecto.
Todas essas bonanças ideológicas, que acabei de narrar, foram vivamente reproduzidas pelo PT e seu mefistofélico comunismo! Uma inteligência sadia percebe isso com tanta clareza quanto a luz do sol que se levanta, a cada dia, sobre a fronte dos terráqueos. [Não sei se isso é também prerrogativa dos extraterrestres! Bom, pelo menos, nós estamos aqui!]. Talvez, por respeito humano ou acolhimento ao “politicamente correto”, nós fomos nos habituando, paulatinamente, aos desmandos da ditadura e, considerando a imposição dos dogmas de suas prevaricações éticas, não fomos capazes de reagir, condignamente, às falácias imperativas das ruínas deletérias de nossos valores mais sublimes. Não precisarei dizer muito sobre o que o PT fez pelo nosso país, sem querer desmerecer tudo aquilo que o povo, bom e humilde, recebeu do paternalismo da gerência administrativa de outrora. Em relação à Cuba, nem preciso dizer nada! A história é um juiz implacável, e sobeja nos livros sobre seus detratores!
Reconheço, enfaticamente, que, no momento, há muita apreensão, desconfiança e, por que não o dizer (?), até medo! Mas torcemos pelo melhor para o Brasil. Não somos profetas visionários do futuro! Contudo, aqueles que o foram, tinham seus pés e sua mente diretamente projetados no redemoinho dos acontecimentos. A história é o fundamento mais contundente de suas percepções. Por isso, aprendemos que o condicionamento dos fatos podem esclarecer o vislumbre de seus vaticínios. A profecia não é uma magia. Quem tem os pés fincados na realidade consegue ver com mais lucidez e menos demência o alcance da cotidianidade. De fato, como afirmou Dom Luciano Duarte (1925-2018), “a ideologia não é puramente da ordem da inteligência: é da zona candente da paixão. E a paixão é cega a argumentos cartesianos: só o impacto dos testemunhos pode romper a fronteira de fogo”.
Com a nova cara do Brasil, estampada no rosto do novo presidente, também renovamos nossas esperanças. Esperamos que ele não traia os princípios que atraíram a maioria doa votos nas urnas democraticamente abeiradas dos eleitores, mas se ele o fizer, também não será muita surpresa! Como diz o ditado, não confie em político sem antes olhar o seus dentes. Como não os vimos, esperemos o testemunho da história, que, por sinal, também é vingativa. Ninguém precisa afazer justiça com as próprias mãos. A história devolve o troco aos enganadores de uma nação. Com efeito, mais cedo ou mais tarde, as manobras políticas e falcatruas emergem à superfície da democracia espontaneamente, e os responsáveis, não obstante a morosidade da justiça, recebem a devida punição legal.
De qualquer modo, enquanto estivermos devendo à justiça de nossa própria consciência, dificilmente gritaremos contra a corrupção, exceto para esconder nossa condição de corrupto. Falo das pequenas corrupções que também cometemos na dissimulação do dia a dia. Com efeito, quando elas crescem e se agigantam dentro de nós é porque também já corroeram as vísceras da honestidade do nosso espírito. (PGRS).

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Saint John Paul II, Pray for us


Catelgandolfo, 2 de setembro de 2002

 
Saint John Paul II, Pray for us
(This text is from internet)  
Karol J. Wojtyla, known as John Paul II since his October 1978 election to the papacy, was born in Karol J. Wojtyla, known as John Paul II since his October 1978 election to the papacy, was born in Wadowice, a small city 50 kilometers from Krakow, on May 18, 1920. He was the second of two sons born to Karol Wojtyla and Emilia Kaczorowska. His mother died in 1929. His elder brother Edmund, a doctor, died in 1932 and his father, a non-commissioned army officer died in 1941.
He made his First Holy Communion at age 9 and was confirmed at 18. Upon graduation from Marcin Wadowita high school in Wadowice, he enrolled in Krakow’s Jagiellonian University in 1938 and in a school for drama.
The Nazi occupation forces closed the university in 1939 and young Karol had to work in a quarry (1940-1944) and then in the Solvay chemical factory to earn his living and to avoid being deported to Germany.
In 1942, aware of his call to the priesthood, he began courses in the clandestine seminary of Krakow, run by Cardinal Adam Stefan Sapieha, archbishop of Krakow. At the same time, Karol Wojtyla was one of the pioneers of the “Rhapsodic Theatre,” also clandestine.
After the Second World War, he continued his studies in the major seminary of Krakow, once it had re-opened, and in the faculty of theology of the Jagiellonian University, until his priestly ordination in Krakow on November 1, 1946.
Soon after, he was sent to Rome where he worked under the guidance of the French Dominican, Garrigou-Lagrange. He finished his doctorate in theology in 1948 with a thesis on the topic of faith in the works of Saint John of the Cross. At that time, during his vacations, he exercised his pastoral ministry among the Polish immigrants of France, Belgium and Holland.
On 4 July 1958, while on a kayaking holiday in the lakes region of northern Poland, Venerable Pope Pius XII appointed him as the auxiliary bishop of Kraków and he received episcopal consecration on 28 September 1958. At the age of 38, Wojtyla became the youngest bishop in Poland. In October 1962, Wojtyla took part in the Second Vatican Council, where he made contributions to two of its most historic and influential products, the Decree on Religious Freedom and the Pastoral Constitution on the Church in the Modern World. On 26 June 1967, Blessed Paul VI announced Archbishop Karol Wojtyla’s promotion to the Sacred College of Cardinals.
He was elected pope by the second Papal conclave of 1978, which was called after Pope John Paul I, who had been elected in August to succeed Pope Paul VI, died after thirty-three days. Cardinal WojtyÅ‚a was elected on the third day of the conclave, the first non-Italian pope since the Dutch Pope Adrian VI, who reigned from 1522 to 1523, and adopted his predecessor’s name in tribute to him. John Paul II is recognized as helping to end Communist rule in his native Poland and eventually all of Europe. John Paul II significantly improved the Catholic Church’s relations with Judaism, Islam, the Eastern Orthodox Church, and the Anglican Communion. He upheld the Church’s teachings on such matters as artificial contraception and the ordination of women, but also vigorously supported the Church’s Second Vatican Council and its reforms.
He was one of the most traveled world leaders in history, visiting 129 countries during his pontificate. As part of his special emphasis on the universal call to holiness, he beatified 1,340 people and canonized 483 saints, more than the combined tally of his predecessors during the preceding five centuries. By the time of his death, he had named most of the College of Cardinals. A key goal of John Paul’s papacy was to transform and reposition the Catholic Church. His wish was “to place the Church at the heart of a new religious alliance that would bring together Jews, Muslims and Christians in a great religious armada.”
John Paul II was the second longest-serving pope in modern history after Venerable Pope Pius IX, who served for nearly 32 years. John Paul II’s cause for canonization began in 2005, one month after his death, with the traditional five-year waiting period waived. On 19 December 2009, John Paul II was proclaimed Venerable by his successor Pope Benedict XVI and was beatified on 1 May 2011 after the Congregation for the Causes of Saints attributed one miracle to his intercession, the healing of a French nun from Parkinson’s disease. A second miracle attributed to John Paul II’s intercession was approved and he was canonized on 27 April 2014 together with Pope John XXIII by Pope Francis., a small city 50 kilometers from Krakow, on May 18, 1920. He was the second of two sons born to Karol Wojtyla and Emilia Kaczorowska. His mother died in 1929. His elder brother Edmund, a doctor, died in 1932 and his father, a non-commissioned army officer died in 1941.
He made his First Holy Communion at age 9 and was confirmed at 18. Upon graduation from Marcin Wadowita high school in Wadowice, he enrolled in Krakow’s Jagiellonian University in 1938 and in a school for drama.
The Nazi occupation forces closed the university in 1939 and young Karol had to work in a quarry (1940-1944) and then in the Solvay chemical factory to earn his living and to avoid being deported to Germany.
In 1942, aware of his call to the priesthood, he began courses in the clandestine seminary of Krakow, run by Cardinal Adam Stefan Sapieha, archbishop of Krakow. At the same time, Karol Wojtyla was one of the pioneers of the “Rhapsodic Theatre,” also clandestine.
After the Second World War, he continued his studies in the major seminary of Krakow, once it had re-opened, and in the faculty of theology of the Jagiellonian University, until his priestly ordination in Krakow on November 1, 1946.
Soon after, he was sent to Rome where he worked under the guidance of the French Dominican, Garrigou-Lagrange. He finished his doctorate in theology in 1948 with a thesis on the topic of faith in the works of Saint John of the Cross. At that time, during his vacations, he exercised his pastoral ministry among the Polish immigrants of France, Belgium and Holland.
On 4 July 1958, while on a kayaking holiday in the lakes region of northern Poland, Venerable Pope Pius XII appointed him as the auxiliary bishop of Kraków and he received episcopal consecration on 28 September 1958. At the age of 38, Wojtyla became the youngest bishop in Poland. In October 1962, Wojtyla took part in the Second Vatican Council, where he made contributions to two of its most historic and influential products, the Decree on Religious Freedom and the Pastoral Constitution on the Church in the Modern World. On 26 June 1967, Blessed Paul VI announced Archbishop Karol Wojtyla’s promotion to the Sacred College of Cardinals.
He was elected pope by the second Papal conclave of 1978, which was called after Pope John Paul I, who had been elected in August to succeed Pope Paul VI, died after thirty-three days. Cardinal WojtyÅ‚a was elected on the third day of the conclave, the first non-Italian pope since the Dutch Pope Adrian VI, who reigned from 1522 to 1523, and adopted his predecessor’s name in tribute to him. John Paul II is recognized as helping to end Communist rule in his native Poland and eventually all of Europe. John Paul II significantly improved the Catholic Church’s relations with Judaism, Islam, the Eastern Orthodox Church, and the Anglican Communion. He upheld the Church’s teachings on such matters as artificial contraception and the ordination of women, but also vigorously supported the Church’s Second Vatican Council and its reforms.
He was one of the most traveled world leaders in history, visiting 129 countries during his pontificate. As part of his special emphasis on the universal call to holiness, he beatified 1,340 people and canonized 483 saints, more than the combined tally of his predecessors during the preceding five centuries. By the time of his death, he had named most of the College of Cardinals. A key goal of John Paul’s papacy was to transform and reposition the Catholic Church. His wish was “to place the Church at the heart of a new religious alliance that would bring together Jews, Muslims and Christians in a great religious armada.”
John Paul II was the second longest-serving pope in modern history after Venerable Pope Pius IX, who served for nearly 32 years. John Paul II’s cause for canonization began in 2005, one month after his death, with the traditional five-year waiting period waived. On 19 December 2009, John Paul II was proclaimed Venerable by his successor Pope Benedict XVI and was beatified on 1 May 2011 after the Congregation for the Causes of Saints attributed one miracle to his intercession, the healing of a French nun from Parkinson’s disease. A second miracle attributed to John Paul II’s intercession was approved and he was canonized on 27 April 2014 together with Pope John XXIII by Pope Francis.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Parabéns, professor!


Caríssimo professor,

Resultado de imagem para professores

Difícil descrever a missão do professor! Mas imagine como seria o mundo sem ele. Operário do saber, sua vida espalha conhecimento e sabedoria, com gosto de aprendizagem e sentimentos de esperança. Onde está o professor, o mundo se transforma tudo se enche esperança e luz.

De repente, tudo se transforma, iluminando o universo, com estrelas que se acendem sobre a dignidade humana. Calar o professor é refrear o progresso da ciência, é amputar inteligências em desenvolvimento. Lembra teu professor com carinho! Ajuda-o no cumprimento de sua missão! Sê consciente de seu mérito e valor! Aprender dele significa renovar o mundo. Não impeças que a ingratidão deixe reconhecer a sua dignidade, sua infinita generosidade e espírito de sacrifício.

Muito inspiradora é a vida do professor, que, mesmo em meio às dificuldades, é reconhecido no seu ofício, legando às gerações sucessivas os frutos da ciência, ostentando, magistralmente, que educação é transformação.

Ânimo, então, professor! Força de coragem é renovação. No meio das pedras, o desafio das flores. Do pedestal das dificuldades, a palma da esperança, responsabilidade e determinação. Âncora de uma nação e esforço de renovação!

Disso tudo, ainda sobram, em ti, confiança, esperança, brio por seres o que és, um universo de sapiência não egoísta,  compartilhada. (PGRS).


domingo, 14 de outubro de 2018

Tempos Sombrios


Tempos sombrios

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Há pouco tempo, escrevi aqui sobre “sinais da madrugada”, sobre um filete de luz da esperança que começava a clarear o horizonte da democracia no Brasil. Mas, na verdade, a humanidade precisa entender que estamos vivendo “tempos sombrios”. Ideologias que matam se estenderam pelo mundo, e adormecidos no fundo de nossa memória, fingimos não entender. A revolução russa completou cem anos, e vimos comemorações exaltadas por pessoas que não viveram o pesadelo dos que foram torturados, expulsos de sua pátria, reduzidos a nada, simplesmente porque professavam sua fé, buscavam valores que eram contrários à “lisura” dos Estados totalitários e, por essas razões e tantas outras, maquinadas pela engenhosa inteligência humana, treinada e experta em inventar mentiras, também foram mortos.
A barbárie sempre esteve presente no meio dos homens ditos civilizados. Ditaduras cruéis, impérios sanguinários, rivalidades fratricidas, perseguições religiosas, racismos, e tantos outros tipos de intolerância conduziram a humanidade a duas Grandes Guerras Mundiais. A humanidade atingiu o cúmulo de ressentimentos e de ódios, que o patrocínio da loucura de pessoas genialmente dementes fez escancarar, à saciedade, os requintes de crueldades expostas à luz do dia, em campos de concentração e extermínio, em crematórios humanos, que denegriram impiedosamente o sublime respeito devido à dignidade humana. Uma cruzada entre o bem e o mal, se levantou, mais uma vez, agora, tentando demonstrar que a força da malignidade humana também é poderosa e pode fazer estragos imprevisíveis e funestos para toda a espécie humana. Assim, os laboratórios sociais, como são, por exemplo, os meios de comunicação, os mass media, os meios de comunicação de massa, têm exercido um papel terrivelmente deletério da moral e dos bons costumes, com os quais vamos nos habituando, paulatinamente, sob a defesa hipócrita do “politicamente correto” ou do bem mau compreendido “respeito humano”. Mas, enquanto isso acontece, a energia da maldade, advinda das consciências laxas e comprometidas com o combate a toda espécie de tradição e de bens valorativos da sociedade, todos mergulhamos num obscurantismo sem precedentes, por que avantajado e recebido sem resistências. E quando abrirmos os olhos, poderá ser tarde demais.
Por isso, precisamos ficar atentos e ter muito cuidado pelas posições que tomamos ou pelas ideologias que defendemos. Não podemos permitir que o fanatismo nos cegue os olhos, simplesmente, porque tivemos algum tipo de favorecimento, seja político, material, econômico ou mesmo pessoal, às custas do patrimônio público ou alheio. Não posso me servir sozinhos dos benefícios devidos a todos. Não posso apenas pensar no quintal da minha casa, bem arrumada ou protegida, quando, na verdade, ninguém está isento ou incólume ao furacão da violência que nos cerca a todos. O fanatismo é como o exclusivismo, sempre deixa de fora pessoas e fatos importantes, que poderiam agregar e fortalecer ainda mais o bem que buscamos para a coletividade. Sei que a arte do convencimento não precisa ser unilateral ou desprovida da complexidade das conjunturas sociais e políticas que vivemos no Brasil, nessa hora tão grave em que nos preparamos para as eleições, sobretudo presidenciais, do segundo turno. Mas precisamos iluminar a inteligência com os fatos tristes e deprimentes com que alguns políticos, qual profetas nefastos da agonia, afundaram populações inteiras nas águas sujas das ruínas democráticas de seu país, com regimes caudilhistas, sob os punhos opressores da ganância, da soberba e do enriquecimento ilícito. [Basta pensar, por exemplo, no filho de um ex-presidente, operário e sem formação acadêmica nenhuma, estar entre os 20 homens mais ricos do mundo, enquanto na mesma nação há pessoas que morrem de fome!]. Uma vergonha verde e amarela que, em nada, pode nos orgulhar de um chefe de Estado assim. Então, precisamos tirar as escamas dos olhos e ampliar o horizonte de nossas conquistas, além do nosso quintal, dos interesses próprios, do contato parasitário com as instituições políticas, de apenas usufruirmos e não colaborarmos com nada em relação aos interesses maiores da população mais pobre e faminta, sem nos preocupar com suas necessidades mais urgentes e primárias.
Quando o homem se bastar a si mesmo e dispensar Deus se seu círculo de vida, apelando para todo tipo de instigação dos instintos selvagens guardados dentro de seu lado animal, contraposto à transcendência de sua espiritualidade, é sinal de que algo está muito errado consigo mesmo e no raio das pessoas que ele pretende atingir. É, então, aí, que as forças imperiosamente demoníacas tiram fora o pior de sua capacidade para elaboração do mal. Onde o homem tenta assumir o lugar de Deus – e essa é a grande tentação humana desde a gênese da história da humanidade – o caos moral se instala e com ele todos os derivados de seus excessos e abusos. Sem Deus, o homem se torna um suicida no caminho da autodestruição. O frescor e a lucidez de um pensamento do Papa Bento XVI podem ajudar-nos a entender melhor o que digo: “Se Deus e os valores, se a diferença entre o bem e o mal permanecem na escuridão, então todas as outras iluminações, que nos dão um poder verdadeiramente incrível, deixam de constituir somente progressos, mas passam a ser simultaneamente ameaças que nos põe em perigo a nós e ao mundo. [...] Nas coisas materiais, sabemos e podemos incrivelmente tanto, mas naquilo que está para além disso, como Deus e o bem, já não o conseguimos individuar. Para isso, serve a fé, que nos mostra a luz de Deus, a verdadeira iluminação: aquela é uma irrupção da luz de Deus no nosso mundo, uma abertura dos nossos olhos à verdadeira luz”. (Assunção, 2018, p. 13). Com certeza, a reflexão da papa visionário, que mergulha a pena de suas preocupações nas águas agitadas das ideologias contemporâneas, serve-nos, não apenas como um alerta, mas, sobretudo, como um convite à mudança de atitudes, de tomada de posição frente às correntes malignas que afastam Deus do homem e oprimem as suas criaturas.
Na verdade, assim como os tiranos não nascem feitos, mas são construídos na história, de igual maneira, os messias esperados precisam de oportunidade e de tempo para demonstrarem a que vieram, e, nesse sentido, precisamos oferecer-lhes a chance de ostentar algo novo,  porque, pelo menos, mesmo que tenhamos de “esperar contra toda esperança”, deixar o quadro sócio-político-cultural-econômico do Brasil mais negro do que está, parece-me uma missão impossível. Assim pensando, decidi que, no segundo turno, irei votar em presidente do Brasil, ao contrário do direito à abstenção que exerci no primeiro turno, justificando o voto. Data venia!” (PGRS).